No ano 2.000, ano Jubilar, em Fortaleza–CE, aconteceu a experiência fundante da graça originária do carisma da Obra Lumen, que até então era um grupo de jovens.
Como nos ensina a Teologia dos Carismas, um carisma nasce comunitariamente, a partir de uma experiência pessoal com um Mistério específico da vida de Cristo.
Alguns jovens encontraram um homem em situação de rua, que agonizava, em extremo sofrimento e abandono. Inspirados no exemplo de São Francisco de Assis, e à luz de Mt 25, aqueles jovens sabiam que Jesus estava naquela pessoa abandonada e, por isso, ali ficaram.
Ao perguntar para aquele irmão qual era o seu nome, os jovens ficaram ainda mais impressionados: seu nome era EMANUEL! De fato, vinha no coração deles um ardor porque Deus estava ali e, em sua carne sofredora, podia ser tocado e amado!
A partir daí, os jovens decidiram cuidar do irmão abandonado: levaram-no a um lugar reservado, deram-lhe um lanche, conversaram e rezaram com ele. Uma forte experiência de encontro com Jesus Abandonado e Crucificado aconteceu na ocasião.
Não podendo simplesmente devolver o Emanuel às ruas, telefonaram para a mãe de um deles para que pudesse transportá-lo à casa dos irmãos da Toca de Assis, pois, na época, aqueles jovens não tinham casa para acolher o Abandonado, mas, pela comunhão de carismas, foi amado o Emanuel.
Dias depois, os irmãos de hábito semelhante ao de São Francisco comunicaram-lhes que o Emanuel, segundo os médicos do hospital que o atenderam, só havia sido salvo porque fora prontamente acolhido.
Essa é, em resumo, a história de nossa experiência originária fundante. Muitos acontecimentos posteriores revelaram que nascia um carisma centrado no Mistério do encontro com Jesus Abandonado, Crucificado e Encarnado nos mais pobres e sofredores.
Hoje, aqueles jovens têm convicção de que na verdade, eles que foram encontrados pelo Emanuel. A vida do Emanuel foi salva aquele dia. Mas na verdade, a vida dos jovens também foi salva. Pois “mais miseráveis que o Emanuel, eram eles” – afirmam os jovens.
Aquele que experimenta esse encontro passa por um intenso processo de cura (“pelas vossas chagas, fostes curados”) e ressurreição e, quanto mais ressuscita, mas tem sede de ir ao encontro do Abandonado nos mais abandonados. Por isso, anunciamos o que chamamos de encontro do Ressuscitado com o Abandonado!
Por meio de inúmeros testemunhos e frutos observados ao longo dos anos, temos constatado que verdadeiramente se trata de um encontro para o qual podem ser convidados todos aqueles que fazem parte de uma humanidade ferida pelo egoísmo e pela indiferença; pela prisão do ter, do prazer e do poder. Esse encontro gera salvação porque atualiza a experiência do Evangelho, sobretudo aquela que está expressa em Mt 25, 40.
Descobrimos o Emanuel! Descobrimos que, em comunhão com toda a Igreja e a serviço da humanidade, somos chamados a nos consumir com alegria e fraternidade para que todos tenham um encontro verdadeiramente salvífico com Aquele que nos amou por primeiro, com um Cristo apaixonante, que, escondido nos mais esquecidos, inflama o nosso coração.
Papa Francisco: “Jesus nos diz que a maneira de encontrá-lo é encontrando suas chagas, e as chagas de Jesus as encontramos com as obras de misericórdia, dando ao corpo e à alma, sobretudo ao corpo de seu irmão chagado, porque tem fome, porque tem sede, porque está nu, porque está humilhado, porque é um escravo, porque está preso, porque está no hospital (Mateus 25, 31-46). Essas são as chagas de Jesus hoje. Ele convida-nos a dar um ato de fé, nele, mas através destas chagas…
A Obra Lumen possui o reconhecimento da Arquidiocese de Fortaleza, com a aprovação da comunidade e dos estatutos, em período “ad experimentum”. “Assim cada vez com mais fidelidade ao dom recebido, na plena comunhão com os mais diversos carismas da Igreja, testemunho autêntico da graça do Evangelho, a Obra Lumen de Evangelização possa cumprir a sua missão de evangelizar os pobres e os jovens, chamados a ser ponte entre o rico epulão e o pobre lázaro, fazendo a experiência do encontro com Jesus abandonado nos mais sofredores, nos mais necessitados de amor, gerando a cultura do encontro que se estenda como luz a toda a humanidade”.